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domingo, 17 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Quando somos responsáveis por cantar em alguma celebração normalmente nós dizemos que vamos “cantar na missa”, porém, o correto seria dizer que vamos “cantar a missa”, “cantar a própria liturgia”.
A Missa é a mais completa das orações, nela atualizamos o Mistério Pascal de Cristo de forma ritual e memorial. Todas as palavras, gestos, símbolos, cânticos fazem parte de um todo, não são partes independentes umas das outras, mas interdependentes, conexas. Por isso, usamos a expressão cantar a Missa, pois o que cantamos, assim como o que rezamos deve estar em perfeita harmonia com o que é celebrado. A música e o canto não são um apêndice, um adereço, mas parte essencial e integrante da celebração, pois ela nos ajuda a penetrar com maior eficácia no mistério que celebramos e favorece a oração.
Os cânticos litúrgicos têm a sua inspiração nos textos bíblicos e nos textos litúrgicos: são bíblico-litúrgicos. Esse é o critério básico para a escolha de um repertório para a Missa. Nem todo cântico de cunho religioso ou devocional pode ser cantado na missa. Em uma celebração as orações, as leituras, a homilia, os comentários e os cânticos devem estar sintonizados entre si, devem ser concordes, falar do mesmo mistério que a liturgia daquele dia está contemplando.
Nas chamadas partes fixas da Missa ou Ordinário as letras dos cânticos devem ser conforme aquilo que seria rezado, como, por exemplo, o Ato penitencial, o Hino de Louvor, o Santo, o Pai-nosso ou o Cordeiro de Deus. Esses cânticos constituem o próprio rito da celebração. A lei da oração é a lei do canto e da música na liturgia. Já os cânticos que acompanham algum rito como o cântico de entrada, o cântico de apresentação das oferendas, o cântico de comunhão, por exemplo devem condizer com a índole do tempo litúrgico, do Evangelho do Dia ou da festa ou solenidade.
Da mesma forma, as melodias devem obedecer ao espírito de cada rito; ora expressando a alegria de estarmos reunidos na casa de Deus; ora súplica e arrependimento, ora ainda, expressando louvor e ação de graças. O canto do ato penitencial, por exemplo, deve ser num ritmo lento e num tom suplicante; já a Aclamação ao Evangelho deve ser cantada de forma vibrante e alegre.
Cantar a liturgia é uma arte que aprendemos a partir do momento que prestamos atenção no sentido de cada rito da missa, de cada texto, de cada gesto. Como disse um sábio cardeal em uma entrevista sua: “A Liturgia não nos pertence... ela é de Deus, dom oferecido à humanidade por Cristo e
Nos artigos seguintes aprenderemos um pouco mais sobre o que é a liturgia e a arte de cantar a liturgia. Concluímos com uma citação do da Constituição Sacrossanto Concilium do Concílio Vaticano II sobre a Liturgia: “A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene.(...) A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas” (n. 112).
Ronaldo Vicente – 05/2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Introdução
Depois de algum tempo trabalhando na formação litúrgica de algumas comunidades percebi que uma das áreas mais necessitadas de formação é a da música litúrgica. Em muitas comunidades existe um grande espírito de confusão a respeito desse assunto. Muitos cantores e instrumentistas não entendem a sua função ministerial dentro da celebração litúrgica, há um grave problema no repertório de cânticos para a celebração eucarística, a maioria dos músicos não sabe que critérios adotar para escolhê-los e ainda há a grande presença de pessoas totalmente desprovidas de uma formação litúrgica mínima, por isso, vão a Igreja para cantar na Missa e não para cantar a Missa.
João Paulo II escreveu o seguinte no quirógrafo sobre a música sacra, em novembro de 2003: “O aspecto musical das celebrações litúrgicas, portanto, não pode ser relegado nem à improvisação nem ao arbítrio de pessoas individualmente, mas há de ser confiado a uma direção harmoniosa, no respeito pelas normas e as competências, como significativo fruto de uma formação adequada. Também neste campo, portanto, se evidencia a urgência de promover uma formação sólida, quer dos pastores quer dos fiéis leigos” (n. 8 e 9).
Por isso, tomei a iniciativa de ajudar, através da rede mundial de computadores, os que se dedicam a música e ao canto litúrgico em nossas Igrejas.
A seguir apresento alguns dos temas que serão postados neste blog:
- Introdução
- Cantar na Missa ou cantar a Missa?
- Princípios básicos de liturgia
- A estrutura da Missa
- A importância do canto na liturgia
- Fundamentos: função e papel do canto litúrgico
- O grupo de cantores
- Música litúrgica e música religiosa
- Graus de importância dos cânticos litúrgicos
- Como escolher os cânticos para a Celebração Eucarística
- O Canto de entrada
- O Kirye ou Senhor, tende piedade
- O Glória
- Salmo
- Aclamação ao Evangelho
- A Seqüência
- A Profissão de Fé
- A Oração Universal
- Canto da Apresentação das Oferendas
A Oração Eucarística
- O Santo
- O Canto da paz (?)
- O Cordeiro de Deus (Agnus Dei)
- Canto de Comunhão
- O Canto final
- O Silêncio sagrado
- A Sacrossanto Concilium e a Música Sacra
- Música e os Tempos Litúrgicos
- Cantar o Advento
- Cantar o Natal
- Cantar o Tempo Comum
- Cantar a Quaresma
- Cantar a Páscoa
- Cantar as Festas e Solenidades
- Os Santos Padres e a música sacra
- Princípios teológicos, litúrgicos, pastorais e estéticos do canto e música litúrgica (CNBB)
- A voz
- A espiritualidade da voz
- A importância da técnica vocal
- O Canto gregoriano
- O Canto polifônico
- O documento Musicam Sacram
- Um livro de cânticos na Bíblia: os Salmos
- O Hinário Litúrgico da CNBB
- Meses temáticos e Tempos litúrgicos
- Espiritualidade litúrgica
Você poderá usar esse material para sua formação pessoal ou ainda transmiti-lo ao seu grupo ou ministério de música.
Louvemos o nome santo do Senhor com as palavras do salmista:
“Cantai ao Senhor Deus um canto novo e o seu louvor na assembléia dos fiéis. Alegre-se Israel em quem o fez e Sião se rejubile no seu Rei”.